Sou radicalmente contra
rodeios, prática estúpida que maltrata animais. Não me comovo nem um pouco
quando um peão é violentamente pisoteado pelos bois. Quanto às touradas, não
vou sequer comentar, pois é uma prática que comprova que alguns seres humanos ainda
não desenvolveram o intelecto, que penso inexistir. Também não acho nem um
pouco ruim quando leio que um touro mais valente chifrou e causou sérios danos
a um toureiro qualquer (que se tivesse conseguido domar o animal, o mataria com
uma espada).
Falta de sensibilidade com os
“profissionais” deste ramo que sofrem acidentes causados pelos animais? Nem um
pouco. É sensatez mesmo. A questão que se coloca é prática: porque os animais
podem sofrer e os homens não? Paira a eterna dúvida.
Nos rodeios, os animais são submetidos
a extrema dor física, numa espécie de tortura, o que,
comprovadamente, afeta o sistema nervoso, causando-lhes sérios danos.
Já as provas de laço aumentam
substancialmente os riscos de os animais terem lesões irreversíveis, pois são
vítimas de sucessivas e violentas quedas.
Deslocamento de vértebras, rupturas
musculares, lesões advindas do impacto na coluna, ruptura da medula espinhal e
de órgãos internos, mortes imediatas, ou, pior, lentas e agonizantes. Por
poucos segundo de prazer, o bicho homem violenta a integridade dos animais e
não raras vezes os leva à morte e ao extremo sofrimento.
O fato se materializou na famosa festa
de Barretos, no 2º dia de rodeios. Um bezerro teve que ser sacrificado após a
prova de bullgdog na arena.
O animal, após ser brutalmente
derrubado pelo peão, não se levantou, permanecendo mortalmente estático no chão
numa cena que causou no mínimo constrangimento coletivo no local. Teve que ser
retirado na carroceria de um veículo.
Um dos técnicos responsáveis pelos
animais afirmou que o animal perdeu o reflexo das patas e teve de ser
sacrificado, com a confirmação posterior de lesão nas vértebras da coluna
cervical. Ficou tetraplégico e teve que ser sacrificado.
Imagens da
prova de bulldog, em que o bezerro foi derrubado e precisou
ser sacrificado (Fonte: Estadão)
Que este fato sirva para pelo menos
reacender a polêmica acerca do suposto “esporte” e sobre o tratamento
dispensado aos animais ali envolvidos, os únicos sofredores nesta patética
realidade.
Enquanto isso, acompanhemos o alarde e
a comoção popular quando um peão for brutalmente pisoteado por um touro. Iremos
sacrificá-lo caso ele fique tetraplégico em um acidente na arena?
Thiago Pena



