Câmara de merda, governo de merda, tudo uma merda. A perspectiva de mudança pra melhor apenas diminui com o tempo. Discorda? Leia.
Vamos aos fatos, de forma sucinta.
Votação do mínimo na Câmara. Valor de R$ 600,00 proposto de PSDB. O Partido de Tiririca (PR-SP) orienta sua bancada a vetar essa proposta, alinhando com o valor de R$ 545,00 proposto pelo governo.
Tiririca vota contra a orientação do partido e do governo, como era de se esperar, e a favor do mínimo de R$ 600,00. Até aí tudo normal, “viva o povo”, se não fosse o que se deu em seguida.
Como esse tipo de votação não é secreto, após o voto a favor do povo e contra o partido, outros parlamentares e assessores cercaram nosso estimado deputado Tiririca, dando declarações de que ele havia “errado” o voto, dizendo ao mesmo que “errar às vezes é normal”, e evitando que o mesmo falasse com a imprensa.
Faltam palavras pra definir esta atitude. Canalhice, vagabundagem, desonestidade, malandragem, entre outras milhares que representam bem nossos vários corruptos representantes na Câmara.
O fato de Tiririca ter votado nos R$ 600,00, contra a orientação do partido, fez com que parte da corja se manifestasse de forma absurda, camuflando a situação logicamente com medo de represálias por parte do governo e base aliada, até mesmo defendendo o deputado de represálias do próprio partido, quem sabe.
Ou seja, se algum deputado quiser ajudar a aprovar um mínimo melhor, mais justo e que dê mínimas condições de melhoria aos pobres, ele simplesmente não pode, porque o partido não quer contrariar a situação governista.
No calor do momento da votação, Tiririca foi sincero ao proferir: "Cá para nós, eu votei com o povo. Eu vim de onde? Quem me colocou aqui? Eu não estou aqui por acaso".
Ele foi inclusive indagado pela imprensa presente à votação acerca das afirmações do partido de que ele teria “errado” o voto, ao passo que o deputado foi enfático ao desmentir e dizer que essa preocupação é normal, e que votou sim a favor dos R$ 600,00.
Louvável a atitude de Tiririca, que, mais tarde, quando procurado para novo pronunciamento a respeito do ocorrido, já não se manifestou. Deve, com certeza, ter escutado muito de seus colegas parlamentares e assessores. Completo absurdo, coisas de brasil (com “b”minúsculo mesmo).
Fiquei feliz pelo ocorrido em relação ao voto de Tiririca, que não negou suas origens humildes e pobres, de passado sofrido, e, a exemplo de poucos, votou a favor do maior patamar para o salário mínimo.
Já a conduta dos outros parlamentares que tentaram maquiar a situação, em tese “constrangedora” (para eles), apenas reflete nossa realidade política que já vem de anos passados, permanece a mesma no presente, e, infelizmente, dá sinais evidentes de que não mudará no futuro: o interesse político está muito acima do interesse do povo.
Fica mais uma lição: talvez, quem saiba, o ex-palhaço Tiririca nem seja assim tão palhaço.
Thiago Pena
Fontes: G1